segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não perca seu tempo comigo

Porque não quero entrar no seu carro se eu não puder entrar na sua vida. Não me conte seu passado se eu não puder viver seu presente. Não faça planos comigo se não puder me incluir no seu futuro. Não me apresente seus amigos se, amanhã, vou virar só mais uma.

Me poupe do trabalho de adivinhar seus pensamentos. Diga que me quer apenas quando for verdade. Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas, quando estiver comigo, seja TODO você.
Corpo e alma. Por favor, não me apareça pela metade.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Fazer o que seus olhos dizem pra eu fazer

“Nuvens que são só nuvens, pois sei que o sol brilha sobre nós...”

Um dia ele vai chegar.

Vai chegar e só vai enxergar a mim. Vai saber que eu esperei por ele a vida inteira e vai sentir que o meu melhor sorriso sempre esteve esperando o olhar dele pra brilhar.

Ele também vai conseguir entender quando eu disser que meu coração perto dele tem vontade de acelerar e de parar, ao mesmo tempo. Ele... ele vai saber o que eu estarei pensando, antes do meu pensamento se formar. Ele vai segurar na minha mão quando eu estiver insegura mesmo estando do outro lado da rua. Ele vai rir das minhas piadas, vai rir das minhas risadas.

Ele vai reconhecer o meu perfume num dia de chuva, onde o cheiro de grama molhada não vai ser capaz de confundi-lo. Ele vai me tocar de um jeito que cada milímetro do meu corpo vai vibrar como nunca se comprovou possível. Os meus ouvidos vão ser mimados pela voz mais firme e rouca que eles já ouviram.

Os olhos dele, mesmo fechados vão ver cada poro do meu rosto e vão contar quantas vezes os meus olhos piscam. Ele vai saber que em dias de sol meus olhos são verdes e que em dias de dor eles são vermelhos.

Ele vai conectar o timbre da minha voz com a música favorita dele.

Ele vai-me ver brincando com criança e vai só parar e imaginar como vai ser com nossos três filhos. Ele vai se orgulhar com a minha comida e vai se surpreender com a mulher de fases que ele vai acordar todos os dias.

Ele vai saber que eu não gosto de falar quando acordo que eu não tomo banho morno mesmo no verão, e vai saber que eu não conto meu perfume.

Ele vai entender por que eu não me abro em sorrisos com quem eu não conheço, vai aceitar eu ter bem mais amigos do que amigas e vai elogiar a cor do meu esmalte por mais infantil que ela seja.

Ele vai tolerar a minha teimosia, a minha voz alta, o meu humor arriado. Ele vai saber que eu odeio que peguem nas minhas canelas e também vai amar minhas tatuagens.

Ele vai me elogiar num vestido bonito e num salto alto, mas vai dizer que eu sou muito mais linda com o moletom dele.

Ele vai amar que mexam comigo na rua, pois ele vai ter a certeza e vai se sentir orgulhoso em lembrar que eu fui feita para ele e sou só dele.

Ele vai colocar um bilhetinho com um recado bonito em cada passo do meu dia. Quando eu levantar e calçar meus chinelos... lá vai ter um bilhete. Quando eu for lavar o rosto...no espelho ele terá escrito que eu sou única.

Única. Ser única e me sentir única, é assim que vou me sentir com ele.

Ele vai entender que dia do jogo do meu colorado, é dia santo.

Ele vai saber que é importante pra mim que ele atenda o celular quantas vezes eu ligar e ele não vai ser grosseiro quando não puder falar. Ele vai amar o meu jeito forte e a minha determinação pra defender o que eu amo e creio e pra conquistar o que eu quero, mas ele vai me proteger quando eu ficar com medo de cobras ou quando eu me sentir insegura pelo atraso dele.

Ele vai me telefonar e ficar comigo na linha até eu chegar em casa quando eu estiver voltando sozinha da rua. Aliás com ele eu vou esquecer o significado de “sozinha”.

Ele vai ao futebol e vai fazer questão que eu torça por ele. Ele vai me pedir pra dizer “você tem que ganhar, entendeu?” seja numa corrida ou numa luta.

Ele vai concordar que o aniversário do meu melhor amigo é um acontecimento imperdível e que as festas de Natal com sogros são importantes, mas ele vai preferir comprar a nossa primeira árvore e ficar só comigo, ali, parados, quietinhos, olhando pras bolinhas coloridas.

Ele vai perceber que eu amo ano novo na praia, mas eu sempre vou fazê-lo lembrar que o lugar pouco vai importar desde que ele esteja comigo, de moletom, bermuda e havaianas.

Ele vai entender meus filmes e vai amar ir ao cinema quase todos os dias comigo. Ele vai saber que eu ainda tenho medo da Malévola da Bela Adormecida.

E eu sei que ele existe e que não é só nos meus sonhos. Eu sei que ele sabe que eu existo e que ele ainda não me encontrou. Ele sabe que ninguém vai ser pra ele o que eu vou. Ele ainda vai me notar. Ele até já me conhece, só não me viu com as lentes certas, ainda está fora de foco e falta um pouco de flash, mas isso eu posso providenciar.

E quando ele chegar vai ser uma festa dentro de mim, tudo que eu nunca imaginei sentir vai me dominar num ritmo acelerado e tudo que nós ainda vamos viver vai passar na minha mente em dois segundos, como se eu nunca tivesse passado tanto tempo longe dele. Vai ser como se ele sempre fosse parte da minha vida, e na verdade ele sempre foi, eu só tinha dado férias pra ele viajar por aí, conhecer coisas novas e depois voltar pra me contar e dizer:

“ - Vem comigo? Pra sempre?”.

domingo, 11 de abril de 2010

“However far away I will always love you, However long I stay... I will always love you” Love Song - The Cure

Mais difícil que gostar de alguém e não ser correspondido é a incapacidade de corresponder ao amor que alguém sente por você.

Como explicar que não é tão simples assim gostar de alguém se quando se gosta simplesmente gosta! Não exige explicação, não comporta entendimento e nem requer permissão! Gosto de você e ponto. Redondo e conclusivo. Ponto.

Eu queria por vezes ter uma espécie de Windows Love, para poder formatar meus sentimentos, abrir espaço na memória, e não esperar a quarentena até poder excluir alguns vírus.

É difícil quando você cria espectativa em cima de alguém e esse alguem resolve que a vida é cheia de mudanças e dessa vez você não esta incluso na nova etapa, passe bem, beijo pra família.

E é mais difícil ter que mudar e explicar pra alguém que é ela quem cai fora, que vc vai continuar no mesmo lugar, e convenhamos que a lorota do “não te quero mal, apenas não te quero mais” nunca confortou nenhum coração partido.

Pensar que se tudo fosse fácil, que gostar de quem gosta da gente é a melhor coisa a se praticar, e dizer que isso é o que deve ser feito é a maior auto mentira! Quem é que disse que eu tenho que gostar de quem gosta de mim pra ser feliz? Que se eu me arriscar a quebrar a cara pra tentar conquistar um amor impossível eu vou estar só perdendo tempo? E se for só perda de tempo? O que é que tem? O tempo é meu! As lágrimas que eu vou derramar, alguém vai enxugar, mas a dor que eu vou sentir, só eu vou sentir! Mas e se der certo? Se eu me jogar de pára-quedas e der certo? Se por acaso bem na hora que eu estiver caindo AQUELA pessoa estiver passando, olhar para cima e abrir os braços pra me segurar? Eu vou dizer que não valeu a pena?

Tem uma música do The Smiths que diz: “And if a double-decker bus, Crashes into us... To die by your side Such a heavenly way to die, And if a ten-ton truck, Kills the both of us... To die by your side... Well, the pleasure and the privilege is mine”.

E diante dessa parte, que é a minha favorita, sempre defendi que Morrisey sabia das coisas, como eu posso negar que cada um é responsável pela sua felicidade? Digo por mim, se uma cuia de chima bem quente e um bom filme me forem oferecidos, já estarei 75% apaixonada. E eu sofro por viver assim? Por me entregar e me apaixonar fácil? Por amar demais e não dar conta das conseqüências? Sofro. Mas eu vivo intensamente, e acho que é a única forma de se viver por completo. Eu lá sei quanto tempo vou ficar aqui! Não vou desperdiçar o amor, seja qual for a forma que ele se apresente pra mim! Adotar um cachorro de rua, sumir no carro com uma amiga, trazer a mulherada pra dormir na minha casa depois daquela balada de meninas, me fantasiar das mil maneiras que eu posso ser pra conquistar um cara, incentivar alguém, orar por alguém, ou oferecer meu silêncio pra alguém. Todas essas formas de amor, pois é assim que eu as vejo, se apresentaram e se apresentam pra mim todos os dias e eu não desprezo nenhuma.

Eu amo poucas pessoas, gosto de algumas mais, mas ainda são poucas, mas o que sinto é extremo. E sou do tipo que fica com o coração dolorido quando tenho que escolher entre ir na casa de dois amigos, ou ter que dizer que o meu gostar é diferente do seu. Sou do tipo que fica decepcionada ao contar um segredo e ver que ele já virou manchete, do tipo que ainda acredita nas pessoas, e que ainda consegue ver que não é porque eu gosto de Doors e você de Latino que eu sou melhor que você (mas Doors ainda é melhor que Latino).

Sou do tipo que não tem tipo. Nem eu tenho tipo e nem as pessoas que eu amo tem tipo.

Me faça rir e você ganha o céu comigo. Me faça chorar e eu vou pensar em vc por meses. Me mande uma música boa e eu vou ouvir todo dia até decorar e lembrarei de você toda vez que ela tocar. Me “mostre” um cheiro e eu vou procurar por ele até cansar e ter certeza de que é o SEU cheiro, me leve pra jantar num restaurante mexicano e veja meus olhos brilharem quando a pimenta calabresa chegar ou compre hot filadélfia pra mim e veja eu encher a boca e comer tudo de uma vez e ao mesmo tempo voce vai sentir o “obrigada” no sorriso de boca cheia. Me ligue. Você nem imagina como eu fico feliz em ouvir a voz de alguém querido.

Use camisa pólo. Goste de cachorros. Goste de inverno e elogie meu chimarrão.

Não sou difícil de acompanhar, não sou chata e na verdade eu quero muito pouco da vida. Eu só quero amar. Amar tudo que eu puder e com uma força e uma garra que me dêem vontade de viver e buscar mais.

Só não diga que vai fazer algo e não faça. Ingratidão é o pior defeito pra mim e eu consigo identificá-la de mil maneiras. Se você disse que ia assitir “Curtindo a vida adoidado” pela centésima vez comigo, assista. E ache a cena dos Beatles a melhor do filme, mas não diga pra mim que acha aquilo o máximo e na hora de ir assitr o filme... sumir.

As pessoas que eu amo são simples, e buscam coisas simples na vida, gostar de alguém é simples, quem complica somos nós. As pessoas estão aí para serem amadas, e elas precisam aprender o verdadeiro significado de compreensão. Dizer que entendeu é facil, conviver com a luta interna do “não entender” é a maior guerra, e pior que isso é culpar os outros ou “o outro” pelo seu não entendimento.

Eu tenho culpa se o Johnny Depp não me quer? Não, não tenho. E eu tenho culpa se eu gosto do Lucas Lima da Sandy? Não tenho também. Culpa não é um instituto que a gente da de presente pra alguém quando não podemos carregar a verdade cruel. Culpa é jogar um fardo que vc na verdade, teve preguiça de solucionar, nas costas de quem você supostamente julga ser o responsável, só porque esse pobre Judas não corresponde ao que você sente, pensa ou faz.

Eu já não sei como concluir meu desabafo de hoje, só consigo ver que vou dobrar meus joelhos no chão, agradecer a Deus por mais um dia e pedir pra Ele que deixe perto de mim somente as pessoas que me amam de verdade e que podem me aceitar como eu sou.

O que eu quero viver a partir de hoje chama-se confiança. Não vou mais me explicar, meu amigos não precisam que eu fique me justificando e meus inimigos não vão acreditar no que eu disser.

Aqueles que entenderem o meu modo de amar e de manifestar meu gostar, vão me acompanhar involuntariamente e vão ter minha lealdade eterna. Os impacientes que me julgarem... paciência...uma hora eles vão entender o quanto a vida é rara.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Won't you dance with me?

“And when you want to live,how do you start, where do you go,who do you need to know?”
(The Boy With The Thorn In His Side – The Smiths)

O que precisamos saber para viver?
A que preço nosso coração se corrompe? É tão engraçada a consciência de que esse mundo é visto por tantas lentes divergentes, quantas interpretações milhões de globos oculares são capazes de dar a cada passo de uma formiga? E será que faz alguma diferença saber como é o passo desse ser? Mas e não saber? Priva-nos de conhecer os mais minúsculos detalhes da vida?
Se eu ainda tivesse tempo de brincar na rua, de cair de bicicleta, de ter uma casa na árvore, de dançar, de voar no fundo do quintal com um lençol amarrado no pescoço... Ah se o tempo ainda fosse meu amigo! Se ele não insistisse em ser o meu mais perverso e cruel inimigo, mais parecido com um gladiador espartano do que com o senhor da razão, quem sabe eu ainda tivesse a chance de saber se o que eu tenho já é suficiente para me deixar na trilha certa de uma vida colorida. Colorida, cheirosa, com gosto de doce!
Chegar aos vinte anos e perceber que tudo o que você possui de mais concreto se encontram em caixas de sapatos 37 e em araras compridas e lotadas de bolsas não é a meta de vida que eu planejei com dez anos. Quando tinha dez anos, além de me sentir adulta, experiente e uma mulher formada como todas as outras meninas de dez anos que eu conhecia, eu planejava (e tinha uma certeza mais absurdamente firme que a Esfinge) que quando eu completasse dezoito anos eu ficaria noiva de um homem lindo, loiro e alto, que aos dezenove anos estaria formada (sabe-se Deus em que eu me formaria entrando em uma faculdade com dezessete e saindo formada com dezenove anos) e casada, planejando meu primeiro filho. Claro que essa era uma meta de vida muito madura, pois eu já tinha dez anos, era praticamente a Dakota Fanning, mas antes disso eu quis ser modelo, dançarina, veterinária e a Xuxa.
E se por mais absurdo que possa parecer, algum desses sonhos infantis tivessem se materializado? E se hoje eu fosse uma mulher casada com um filho no colo? Ou pior, se eu fosse a Xuxa?
Graças a Deus e a tudo que conspira a favor de todos os adultos com sonhos ridículos de criança, eu ainda estou aqui solteira e sem ser, nem de longe, qualquer coisa parecida com a Xuxa.
Mas eu precisei de cada sonho mal elaborado que tive com todas as idades para poder continuar sonhando hoje. E eu ainda não sei viver, meu coração e minha razão se vendem por coisas tão simples, eu ainda não criei maturidade suficiente para pensar como um adulto extremamente responsável de quarenta e cinco anos, eu ainda quero toda essa vitalidade, essa energia, essa sagacidade que me reservam os vinte! Eu não sei, e na verdade eu quase posso prever que mesmo perto da casa dos trinta eu ainda não saberei, se sei, soube ou se ainda aprenderei a viver.
Eu acho a idéia de aprender enquanto se vive muito injusta, e o tempo que eu perco no fundo do poço? E o tempo que eu perdi sem saber onde estava a mola do fundo do meu poço? E os litros de mertiolate que eu poderia ter poupado os meus joelhos em cada tombo de bicicleta? E na minha época de criança ele ardia!
Será que valeria pular essas partes? Ter vivido só de sucessos, ter conseguido o máximo de prazer e plenitude em todos os meus atos desde pequena? Ser hedonista faz algum sentido nesse caos social que chamamos de mundo?
Não que isso justifique o sofrimento, eu não gosto da dor, não gosto do sal das lágrimas e não gosto do vazio que fica depois de cada tristeza, também não creio que isso é uma fase e que depois a felicidade vem, colore tudo e você pára e valoriza cada angústia que sentiu, pois o sabor confortável da alegria é deliciosamente venenoso.
Acho que só sabe viver aquele que vive cada momento da forma que prescrevem na bula: “Ei você quebrou um braço, chore! Está doendo, esperneie! Grite!”, “ Querido você vai brincar com seus primos no final de semana até as 21h! Pule! Sorria! Fique feliz!”.
Não gosto de colocar no que escrevo trechos religiosos, acredito que quando você conclui dessa forma a impressão que se tem é de que tudo o que foi dito antes do versículo era introdutório a uma mensagem de conversão, que coisa chata! Mas vale ressaltar esse aqui: “Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.” (Ec 3.1-2).
Depois de tudo, eu acho que está aí a palavra chave para a primeira pergunta que indaguei: Tempo. O que precisamos saber para viver? Precisamos saber respeitar o tempo. Respeitar e obedecê-lo. Respeitar e amá-lo. Respeitar e aceita-lo.
Quem sabe ele é generoso conosco e nos permite chegar aos oitenta anos podendo buscar manga no pé, nos escondermos em nossas casinhas nas árvores e ficar ali, até a chuva começar a cair a trazer todas as lembranças à nossa mente. Lembranças que nos deixaram marcas, que marcaram os outros, que nos arrancaram sorrisos, mas que também nos apunhalaram facas, independentemente de como serão as suas lembranças... as minhas...eu quero que tenham a cor do meu primeiro batom rosa, o tamanho do meu primeiro cachorro e o cheiro da pipoca do meu pai.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Para enchergar o infinito debaixo dos meus pés é preciso muito mais que só olhar de cima.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sobre esse "Quem sou eu"

"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer por que no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.” Clarice Lispector

E mais uma vez tenho de acolher pensamentos de Clarice.
Quem sou eu? Meu nome é Maiara, tenho 19 anos, sou curitibana e estou no terceiro ano de Direito, gosto de cachorros, sou antipática e quero trabalhar no Ministério Público.
Muito bem, essa sou eu.
Certa feita me pego pensando se sou eu mesmo, se eu sou dessa forma ou se a cada dia tento me convencer de que sou assim.
A segunda opção é a que me cabe. A verdade é que abri mão de sonhos, de planos, e fui lapidando a vida que construí até hoje.
E veementemente se fazem valer todos os ditados de nossas mães: “amigos vêm e vão”,” aprenda a pedir desculpas”, “ estude muito e trabalhe no que te faz feliz”, e por aí vai.
Os sonhos que abdiquei poderiam ter me levado a caminhos inexplorados, poderiam ter me oferecido pessoas desconhecidas e poderiam ter me feito mais feliz.
Meu sonho de fazer faculdade de letras, e de trabalhar em um jornal, foram abdicados pro acreditar que posso ajudar Pontes de Miranda a modificar a frase “ Uma justiça lenta nunca é justa”, me envolvi pelas causas humanas e dedico parte suficientemente interessante à isso. Ter pedido mais desculpas, ter errado menos, me pouparia uma vida com pouquíssimos amigos.
Mas e a minha felicidade estaria em um nível benigno? Vejo que se eu tivesse mudado minhas escolhas, talvez a vida não me desse um número extremamente reduzido de amigos, porém confiáveis e leais, talvez não me desse o presente do grande, apaixonado e único amor, talvez não me desse a chance de lutar pela causa incessante de por fim a morosidade do judiciário brasileiro.
Na verdade só tenho a agradecer por ter fé em uma força superior que perdoou todas as minhas iniqüidades e ainda me deu a dádiva de estar viva, vivendo meus dias turbulentos, cheios, por vezes cinza e sem graça, mas eu ainda estou viva.
Penso nas pessoas que já não estão mais perto de mim, que partiram para nunca mais voltar, penso nos amigos que perdi, nos empregos que recusei, nos tantos “nãos” proferidos por mim, penso e peso todas as conseqüências dessas escolhas.
E posso ter cicatrizes dos espinhos, mas as rosas que desabrocharam e desabrocham no meu jardim são edificantes.
O que posso compartilhar contigo, caro amigo leitor, é que “Quem sou eu” é uma oração que nos causa euforia quando indagada e nos limita quando respondida. Nossas respostas são incansáveis na busca eufórica de ter o que dizer quando nos perguntarem o que e como somos.
E pensando melhor, não quero me rotular e nem me limitar, ainda quero voar de asa – delta, quero passear de balão, quero conhecer Manaus, quero morar no Rio Grande do Sul, quero ser mais simpática, quero cultivar minhas novas amizades e quero conseguir amar meu grande amor o suficiente para que quando eu o deixe nesta terra ele ainda sinta meu perfume no vento.
Quem sou eu?
Maiara, 19 anos, curitibana. Romântica camuflada, insegura quanto à solidão e que teme envelhecer. Amo demais, sinto ciúmes demais, telefono demais e falo excessivamente. Quero cursar letras e passar a vida viajando com meu grande amor.
Mas esse... esse é meu segredo. Ninguém sabe que sou assim. Nem mesmo eu, pois se soubesse teria prazer em me conhecer.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Disritimia

Hoje a caminho da faculdade, logo cedo, lá por 07:15 da manhã, coloquei minha rotina em dia. E os costumes que haviam sido arremessados para dentro de uma caixa escrito “férias”, saíram desta denominação e voltaram com força total ao meu cotidiano.
Ver as mesmas pessoas todos os dias, fazer o mesmo trajeto: de casa para a faculdade, da faculdade para casa, de casa para a caminhada, da caminhada para casa. E o mais impressionate é que não sou prisioneira apenas das minhas orbigações diárias, mas de tudo o que pertence a esse mundo de responsabilidades corriqueiras. Por três anos consecutivos apanho o mesmo ônibus no mesmo horário e local com destino em comum com a grande parte dos transeuntes, e ninguém se comunica. Incrível a intolerância que cultivamos desde os primeiros passos, ela nos reveste em uma capa de individualidade intransponível. Estamos todos juntos, próximos no interior insalubre de um ônibus, somos os mesmos, ninguém com mudanças realmente relevantes, e muito menos alguém com a mudança tão excitante de ter a simpátia de iniciar uma nova relação social.
Há alguns rostos novos, alguns que são calouros nessa rotina de caminho, alguns que estão perdidos, outros que estão perdidos em si mesmos, e o silêncio é tão intrigante quanto dominador naquele espaço.
São 30 minutos escravos de uma falta de cores e sons, demasiadamente irritante. Por que ninguém se apresenta? Ou pelo menos se cumprimenta? Por que toda essa frieza e indiferença? Faço parte desse metro cúbico de antipatia.
É presunçoso que todos saibamos da vida de todos dentro daquele ônibus. Sabemos onde cada um desce e toma posse da maratona de seu dia, sabemos onde trabalham, estudam, o que fazem, os horários, e até mesmo do que gostam, uns gostam de rosa e amarelo e não se incomodam em usar a combinação, outros, se incomodam em ver tal combinação. Essa sou eu.
Só posso falar por mim, falar das minhas aspirações e opiniões, o dia dos outros não me pertence.
Insuficiente o que presencio no caminho até a faculdade todos os dias, a (in)satisfação vem à cavalo. Na faculdade as pessoas ainda são as mesmas e olhe só que novidade estúpida: os hábitos são milimetricamente os mesmos. Quiçá alguns tenham tomado as rédias de suas vidas e alterado alguma coisa por mais mínima que seja, mas superficialmente é tudo a mesmice cinza e insossa de sempre.
A sala dividida em grupos, as que estudam demais, os que estudam de menos, as que vão apenas para divulgar seu belíssimo corpo e as que lutam para alcançá-las, os que saem demais e fazem questão de catalogar suas peripécias a todo o campus e os que saem de menos e ainda assistem a missa da Puc. Rotinas diferentes, pessoas diferentes, esses lugares são verdadeiros picadeiros, manicômios e ninguém se dá conta, pois meu caro leitor há de concordar que unir 60 pessoas em uma sala de aula, apenas com o critério de terem escolhido o mesmo curso de graduação é um tanto imprevisível.
Poderiam acontecer muitas coisas, coisas agradabilíssimas e coisas extremamente dispensáveis, são seres com vidas e costumes diferentes, que nunca se viram, que nunca conviveram, e de repente são invadidas por milhões de idéias e opiniões divergentes das suas, e terão de ter flexibilidade para aceitá-las (ou descartá-las) durante cinco longos e cretinos anos.
A procura incansável por essa flexibilidade nunca recebe seu ponto final, e o que eu concluo de todo esse grito de desabafo? Particularmente, espero encontrar meu pote no final do arco-íris repleto e transbordante de flexibilidade, paciência e tolerância. Cada um deveria procurar o seu, o verbo ‘conviver’ ficaria muito mais compreensível para todos os usuários enlouquecidos dele.