"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer por que no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.” Clarice Lispector
E mais uma vez tenho de acolher pensamentos de Clarice.
Quem sou eu? Meu nome é Maiara, tenho 19 anos, sou curitibana e estou no terceiro ano de Direito, gosto de cachorros, sou antipática e quero trabalhar no Ministério Público.
Muito bem, essa sou eu.
Certa feita me pego pensando se sou eu mesmo, se eu sou dessa forma ou se a cada dia tento me convencer de que sou assim.
A segunda opção é a que me cabe. A verdade é que abri mão de sonhos, de planos, e fui lapidando a vida que construí até hoje.
E veementemente se fazem valer todos os ditados de nossas mães: “amigos vêm e vão”,” aprenda a pedir desculpas”, “ estude muito e trabalhe no que te faz feliz”, e por aí vai.
Os sonhos que abdiquei poderiam ter me levado a caminhos inexplorados, poderiam ter me oferecido pessoas desconhecidas e poderiam ter me feito mais feliz.
Meu sonho de fazer faculdade de letras, e de trabalhar em um jornal, foram abdicados pro acreditar que posso ajudar Pontes de Miranda a modificar a frase “ Uma justiça lenta nunca é justa”, me envolvi pelas causas humanas e dedico parte suficientemente interessante à isso. Ter pedido mais desculpas, ter errado menos, me pouparia uma vida com pouquíssimos amigos.
Mas e a minha felicidade estaria em um nível benigno? Vejo que se eu tivesse mudado minhas escolhas, talvez a vida não me desse um número extremamente reduzido de amigos, porém confiáveis e leais, talvez não me desse o presente do grande, apaixonado e único amor, talvez não me desse a chance de lutar pela causa incessante de por fim a morosidade do judiciário brasileiro.
Na verdade só tenho a agradecer por ter fé em uma força superior que perdoou todas as minhas iniqüidades e ainda me deu a dádiva de estar viva, vivendo meus dias turbulentos, cheios, por vezes cinza e sem graça, mas eu ainda estou viva.
Penso nas pessoas que já não estão mais perto de mim, que partiram para nunca mais voltar, penso nos amigos que perdi, nos empregos que recusei, nos tantos “nãos” proferidos por mim, penso e peso todas as conseqüências dessas escolhas.
E posso ter cicatrizes dos espinhos, mas as rosas que desabrocharam e desabrocham no meu jardim são edificantes.
O que posso compartilhar contigo, caro amigo leitor, é que “Quem sou eu” é uma oração que nos causa euforia quando indagada e nos limita quando respondida. Nossas respostas são incansáveis na busca eufórica de ter o que dizer quando nos perguntarem o que e como somos.
E pensando melhor, não quero me rotular e nem me limitar, ainda quero voar de asa – delta, quero passear de balão, quero conhecer Manaus, quero morar no Rio Grande do Sul, quero ser mais simpática, quero cultivar minhas novas amizades e quero conseguir amar meu grande amor o suficiente para que quando eu o deixe nesta terra ele ainda sinta meu perfume no vento.
Quem sou eu?
Maiara, 19 anos, curitibana. Romântica camuflada, insegura quanto à solidão e que teme envelhecer. Amo demais, sinto ciúmes demais, telefono demais e falo excessivamente. Quero cursar letras e passar a vida viajando com meu grande amor.
Mas esse... esse é meu segredo. Ninguém sabe que sou assim. Nem mesmo eu, pois se soubesse teria prazer em me conhecer.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
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E quem disse que você vai morrer antes de mim? Bom, se o grande amor a quem se refere for eu.
ResponderExcluirClaro que vc é meu grande amor! Nós vamos morrer juntos, igual o casalzinho de velhinhos do Titanic.
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