quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Disritimia

Hoje a caminho da faculdade, logo cedo, lá por 07:15 da manhã, coloquei minha rotina em dia. E os costumes que haviam sido arremessados para dentro de uma caixa escrito “férias”, saíram desta denominação e voltaram com força total ao meu cotidiano.
Ver as mesmas pessoas todos os dias, fazer o mesmo trajeto: de casa para a faculdade, da faculdade para casa, de casa para a caminhada, da caminhada para casa. E o mais impressionate é que não sou prisioneira apenas das minhas orbigações diárias, mas de tudo o que pertence a esse mundo de responsabilidades corriqueiras. Por três anos consecutivos apanho o mesmo ônibus no mesmo horário e local com destino em comum com a grande parte dos transeuntes, e ninguém se comunica. Incrível a intolerância que cultivamos desde os primeiros passos, ela nos reveste em uma capa de individualidade intransponível. Estamos todos juntos, próximos no interior insalubre de um ônibus, somos os mesmos, ninguém com mudanças realmente relevantes, e muito menos alguém com a mudança tão excitante de ter a simpátia de iniciar uma nova relação social.
Há alguns rostos novos, alguns que são calouros nessa rotina de caminho, alguns que estão perdidos, outros que estão perdidos em si mesmos, e o silêncio é tão intrigante quanto dominador naquele espaço.
São 30 minutos escravos de uma falta de cores e sons, demasiadamente irritante. Por que ninguém se apresenta? Ou pelo menos se cumprimenta? Por que toda essa frieza e indiferença? Faço parte desse metro cúbico de antipatia.
É presunçoso que todos saibamos da vida de todos dentro daquele ônibus. Sabemos onde cada um desce e toma posse da maratona de seu dia, sabemos onde trabalham, estudam, o que fazem, os horários, e até mesmo do que gostam, uns gostam de rosa e amarelo e não se incomodam em usar a combinação, outros, se incomodam em ver tal combinação. Essa sou eu.
Só posso falar por mim, falar das minhas aspirações e opiniões, o dia dos outros não me pertence.
Insuficiente o que presencio no caminho até a faculdade todos os dias, a (in)satisfação vem à cavalo. Na faculdade as pessoas ainda são as mesmas e olhe só que novidade estúpida: os hábitos são milimetricamente os mesmos. Quiçá alguns tenham tomado as rédias de suas vidas e alterado alguma coisa por mais mínima que seja, mas superficialmente é tudo a mesmice cinza e insossa de sempre.
A sala dividida em grupos, as que estudam demais, os que estudam de menos, as que vão apenas para divulgar seu belíssimo corpo e as que lutam para alcançá-las, os que saem demais e fazem questão de catalogar suas peripécias a todo o campus e os que saem de menos e ainda assistem a missa da Puc. Rotinas diferentes, pessoas diferentes, esses lugares são verdadeiros picadeiros, manicômios e ninguém se dá conta, pois meu caro leitor há de concordar que unir 60 pessoas em uma sala de aula, apenas com o critério de terem escolhido o mesmo curso de graduação é um tanto imprevisível.
Poderiam acontecer muitas coisas, coisas agradabilíssimas e coisas extremamente dispensáveis, são seres com vidas e costumes diferentes, que nunca se viram, que nunca conviveram, e de repente são invadidas por milhões de idéias e opiniões divergentes das suas, e terão de ter flexibilidade para aceitá-las (ou descartá-las) durante cinco longos e cretinos anos.
A procura incansável por essa flexibilidade nunca recebe seu ponto final, e o que eu concluo de todo esse grito de desabafo? Particularmente, espero encontrar meu pote no final do arco-íris repleto e transbordante de flexibilidade, paciência e tolerância. Cada um deveria procurar o seu, o verbo ‘conviver’ ficaria muito mais compreensível para todos os usuários enlouquecidos dele.

Um comentário:

  1. Eu faço parte das pessoas que lutam para alcançar o belíssimo corpo.

    :(

    oi, você vem sempre aqui ?
    As pessoas não deveriam odiar essa pergunta. Pelo menos é uma tentativa de uma quebra de mesmices, ou não.

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